UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”PROJETO A VEZ DO MESTREA
importância da psicanálise para a formação do psicopedagogo:O estudo de conceitos de psicanálise para o entendimento das dificuldades do ensino-aprendizagem.
Por: José Luiz Teixeira da Silva
OrientadorProf. Dr. Carlos Alberto Cereja de Barros
Rio de Janeiro
Julho-2006
UNIVERSIDADE CÂNDIDO MENDES
PÓS-GRADUAÇÃO “LATO SENSU”PROJETO A VEZ DO MESTRE
A importância da psicanálise para a formação do psicopedagogo:O estudo de conceitos de psicanálise para o entendimento das dificuldades do ensino-aprendizagem.
Apresentação de monografia à Universidade Cândido Mendes como requisito parcial para obtenção do grau de especialista em psicopedagogia.
Por: José Luiz Teixeira da Silva
Rio de Janeiro
Julho/2006
AGRADECIMENTOS
A todas as pessoas que colaboraram para o engrandecimento dessa pesquisa, ora incentivado, ora indicando livros, artigos, enfim, dando sugestões. Aos amigos e principalmente a Deus pois sem a força vital e espiritual este trabalho acadêmico seria muito menos que é, pois de que vale o saber sem amor?
Epígrafe" O inconsciente é estruturado como uma linguagem."(Mannoni, 1976 , p.53)
DEDICATÓRIA
Dedico este trabalho acadêmico a todas as pessoas com ânsia do saber elaborado, estruturado e extremamente humano. Aos meus professores que alicerçaram meus conhecimentos, aos meus colegas de curso pois foi na interação com eles é que pude apreender e ao mesmo tempo trocar informações , ideias e ideais que espero compartilhar com outras pessoas durante toda minha existência.
RESUMO
O intuito deste trabalho acadêmico é contribuir com elementos pertinentes a formação do profissional Psicopedagogo. Nesse processo de construção do conhecimento fez-se uma pesquisa bibliográfica buscando saberes na área da psicanálise que possam ser compartilhados nos processos do psicopedagogo para entender a "Psiquê" dos aprendentes, das pessoas envolvidas no processo ; pais,outros educadores e os gestores das instituições assistidas por este profissional especialista.Portanto este trabalho monográfico propõe-se a agregar valores à formação do especialista em psicopedagogia , trazendo a tona conhecimentos relativos a psicanálise que possam facilitar o entendimento do comportamento humano , seus traumas e outros conceitos que serão abordados cumulativamente às experiências do cotidiano.O primeiro capítulo versa sobre a Psicanálise, definição, seu fundador, seus principais conceitos e sua aplicabilidade, enfim, uma visão geral que engloba história, teoria e capacitação.O segundo implicará sobre o tema psicopedagogia, suas argumentações teóricas e práticas entre eles os conceitos inserindo as dificuldades e os transtornos e como reconhecê-los. A psicanálise e a pedagogia de forma a conhecer as dificuldades inerentes a instituição que esse profissional psicopedagogo exerce sua atividade laboral.O último capítulo faz uma relação do primeiro com o segundo buscando observar as teorias e aplicações pertinentes ao psicopedagogo, sua formação e as contribuições da psicanálise na qualificação do especialista e profissional psicopedagogo.
ABSTRACT
The purpose of this paper is to contribute to academic elements relevant to professional training psychopedagogists. In the process of knowledge construction became a literature seeking knowledge in the field of psychoanalysis that can be shared across processes psychopedagogists to understand the "Psyche" of learners, the people involved in the process, parents, other educators and managers of institutions assisted by this professional expert.
So this monograph intends to add value to the training of specialist in educational psychology, bringing out knowledge of psychoanalysis that may facilitate the understanding of human behavior, its traumas and other concepts that are addressed concurrently to the experiences of everyday life.
The first chapter deals with psychoanalysis, definition, its founder, its key concepts and its applicability, finally, an overview that encompasses history, theory and training.
The second lead on the issue psychopedagogy, its theoretical and practical arguments among them the concepts entering the difficulties and disorders and how to recognize them. Psychoanalysis and pedagogy in order to meet the difficulties inherent in the institution that exerts its activity psychopedagogists professional labor.
The last chapter gives an account of the first with the second notice seeking theories and applications relevant to psychopedagogists, their training and the contributions of psychoanalysis in the qualification of expert and professional psychopedagogists.
RESUMEN
El propósito de este trabajo es contribuir a elementos académicos relevantes para psicopedagogos de formación profesional. En el proceso de construcción del conocimiento se convirtió en una literatura que buscan el conocimiento en el campo del psicoanálisis que se pueden compartir entre psicopedagogos procesos para entender la "psique" de los estudiantes, las personas involucradas en el proceso, los padres, los educadores y directores de las instituciones asistido por el profesional experto.
Así que esta monografía tiene la intención de aportar un valor añadido a la formación de especialista en psicología de la educación, llevando a cabo el conocimiento del psicoanálisis que puede facilitar la comprensión de la conducta humana, sus traumas y otros conceptos que se abordan simultáneamente a las experiencias de la vida cotidiana.
El primer capítulo trata con el psicoanálisis, la definición, su fundador, sus principales conceptos y su aplicabilidad, por fin, un panorama que abarca la historia, la teoría y la formación.
El segundo cable de la psicopedagogía cuestión, sus argumentos teóricos y prácticos, entre ellos los conceptos que entran en las dificultades y trastornos y cómo reconocerlos. El psicoanálisis y la pedagogía con el fin de responder a las dificultades inherentes a la institución que ejerce su actividad laboral psicopedagogos profesional.
El último capítulo da cuenta de la primera con la segunda notificación que buscan teorías y aplicaciones relevantes para psicopedagogos, su formación y los aportes del psicoanálisis en la capacitación de expertos y profesionales psicopedagogos.
INTRODUÇÃO
A educação é um processo que deve ser humanizado, servindo como base para um processo maior, ou seja, colaborar com a internalização do conceito de emancipação, fazendo com que o aprendente rompa paradigmas excludentes da dignidade, da moral e dos saberes que cada indivíduo traz dentro de si, o seu currículo oculto. Assim sendo, as pessoas ditas "problemáticas", com seu desempenho escolar ou social fora dos padrões que parametrizam a normalidade não devem ser rotuladas mas sim orientadas para que possam usufruir dos direitos de todo o cidadão. Respeitando os limites de cada um e agregando suas qualidades numa conduta sócio-interacionista-construtivista. Segundo Maria Cristina Kupfer em seu livro "Freud e a Educação" aquilo que Freud denominou transferência pode ser encontrado num contexto analítico, mas também na relação professor-aluno. É a partir da análise dessa relação que se pode pensar no que faz um aluno aprender. O que faz acreditar no professor, permitindo que um ensino seja eficaz. Pois, superando instituições escolares castradoras, coibitivas, "achatadoras" de individualidades, surgem alunos pensantes, desejosos de saber, capazes mesmo de produzir teorias.Aprendentes que necessitem de um atendimento especial, seja por distúrbios neurológicos, seja por limitações físicas associadas a traumas que atrapalham seus processos de ensino-aprendizagem bem como sua inserção na sociedade. Precisam de um acompanhamento profissional no qual serão feitos estudos que possam indicar o melhor procedimento a ser executado para cada situação. Podemos citar o TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade), TDO ( Transtorno Desafiador Opositivo), Autismo e outros tantos problemas relacionados com o comportamento humano e a aprendizagem.Logo é muito importante estabelecer parâmetros entre o ser humano, o ser psicológico e o ser social. Que para ser respeitado tem que se submeter aos rígidos padrões de uma sociedade "perfeita" caso contrário, esse ser com dificuldades em se relacionar, é apartado da sociedade e condenado a solidão. Como Educadores e Psicopedagogos têm uma difícil missão a qual é quebrar esse paradigma e reintegrar essa parte da população. Mas para isso é necessário um estudo mais especializado , usando o saber elaborado em diversos segmentos tais como: filosofia, psicanálise, psicologia, sociologia, antropologia e outras tantas disciplinas que buscam o saber eclético sobre o ser humano.O ser humano é único e como tal deve ser estudado caso a caso, o psicopedagogo dentro de suas competências deverá encaminhar o aprendente ao profissional mais indicado ao caso do problema por ele identificado. Pode ser um psicólogo , um psiquiatra, fonoaudiólogo etc. O psicopedagogo atua preventivamente, agindo como mediador entre o aprendente, o ensinante , a família do aprendente e a instituição em que atua.Na perspectiva de melhoria contínua para a formação do psicopedagogo, utilizando os conhecimentos mais pertinentes da psicanálise para a rotina escolar ou da instituição em que trabalha. Focadas no comportamento humano, no ensino-aprendizagem e nas dificuldades de relacionamento, é que foi o fator estimulador para a elaboração deste trabalho.
CAPÍTULO II.
1- HISTÓRICO DA PSICANÁLISE
Sigmund Freud, pelo poder de sua obra, pela amplitude e audácia de suas especulações, revolucionou o pensamento, as vidas e a imaginação de uma era ... Seria difícil encontrar na história das ideias, mesmo na história da religião, alguém cuja influência fosse tão imediata, tão vasta e tão profunda.(Wollheim, 1971,p.IX)

Psicanálise é uma ciência do inconsciente , fundada por Sigmund Freud que nasceu no dia 6 de maio de 1856, em Freiberg, pequena cidade da Morávia, que , na época, pertencia à Áustria. Seus pais eram judeus, e foi com essa identidade cultural que Freud costumou se reconhecer ao longo dos seus 83 anos de vida. Quando tinha 4 anos, sua família mudou-se para Viena, onde Freud viveu quase todo o resto de sua vida. Em 1873, Freud, ingressa na Universidade de Viena para estudar medicina . Em 1876 desenvolve trabalhos em neurologia e fisiologia, forma-se em 1881.
A teoria do recalque é a pedra angular sobre a qual repousa toda a estrutura da psicanálise. É a parte mais essencial dela e todavia nada mais é senão a formulação teórica de um fenômeno que pode ser observado quantas vezes se desejar se empreende a análise de um neorótico sem recorrer à hipnose. Em tais casos encontram-se uma resistência que se opõe ao trabalho de análise e, a fim de frustrá-lo, alega falha de memória. O uso da hipnose ocultava essa resistência; por conseguinte, a história da psicanálise propriamente dita só começa com a nova técnica que dispensa a hipnose.(Freud, ESB, v. XIV, p.26)
Freud em seus apontamentos destaca a importância das fases do desenvolvimento das quais ele fez as seguintes observações:
Fase de nascimento=> Narcisismo e autoerotismo primário;
Em relação à escolha de objeto nas crianças de tenra idade ( e nas crianças em crescimento ) o que primeiro notamos foi que elas derivam seus objetos sexuais de suas experiências de satisfação. As primeiras satisfações sexuais autoeróticas são experimentadas em relação com funções vitais que servem à finalidade de autopreservação. As pulsões sexuais estão, de início, ligadas à satisfação das pulsões do ego; somente depois é que elas se tornam independentes destas, e mesmo então encontramos uma indicação dessa vinculação original no fato de que os primeiros objetos sexuais de uma criança são as pessoas que se preocupam com sua alimentação, cuidados e proteção : no primeiro caso, sua mãe ou quem quer que a substitua.(Freud, ESB, v.XIV, p.104)
Fase oral (Pré- genital)=> De 6 à 12 meses- Seio, conforme as modalidades de incorporação do objeto (sugar) ou morder (refutar). A pulsão básica do bebê é apenas receber alimento para saciar sua fome e sede como também ser confortada. Predomina os lábios e a língua , pouco mais tarde os dentes.
O importante a assinalar aqui é o fato de que a fase oral, tal como já foi salientado acima a respeito a noção de fase, não se caracteriza apenas pelo predomínio de uma zona de corpo, mas também por um modo de relação de objeto : a incorporação.
Karl Abraham propôs, em 1924, que se subdividisse essa fase em duas: a fase oral precoce, caracterizada pela função de sucção, e a fase oral-sádica, caracterizada, com o aparecimento dos dentes.(Roza,1998,p.104)
Fase anal (Pré-genital) de 18 à 36 meses=> Todo objeto é assimilado à este objeto fecal que pode ser expulso ou retido com prazer ou dor. Expulsão e separação do objeto torna-se o fundamento da existência, a objetivação do objeto em relação ao corpo.
Essa fase está impregnada de valor simbólico, sobretudo ligado às fezes. Tal é o caso da significação de que se reveste a atividade de dar e receber ligada à expulsão e retenção das fezes. Foi o próprio Freud quem, no artigo "As transformações do instinto exemplificadas no erotismo anal (1917) " , salientou a equivalência simbólica entre as fezes e o dinheiro.(Roza, 1998, p.105)
Fase fálica => De 3 à 5 anos- identificação do eu e as primeiras relações objetais ( comparação com os pais), complexo de Édipo e formação do ego, sexualização do corpo, conflito, inveja do pênis (na menina) e medo de perdê-lo (no menino)= angústia da castração, o ego despreende-se dos instintos (Id) e das repressões instintivas que obedecia ( superego);
Corresponde à organização da libido que vem depois das fases oral e anal, na qual já há um predomínio dos órgãos genitais. Essa fase apresenta um objeto sexual e alguma convergência dos impulsos sexuais sobre esse objeto. O que a distingue fundamentalmente da fase genital madura é que nela a criança reconhece apenas um órgão genital.(Roza, 1998, p.105)
A descoberta de que é castrada representa um marco decisivo no crescimento da menina. Daí partem três linhas de desenvolvimento possíveis: uma conduz à inibição sexual ou à neurose, outra à modificação do caráter no sentido de um complexo de masculinidade e a terceira, finalmente, à feminilidade normal.(Freud,1933, livro 29, p.31 na ed. bras.)
Fase de latência=> De 5 à 8 anos- organização do aparelho psíquico ( Id,,Ego e Superego), o sistema inconsciente se organiza por repressão, o Ego tem a função de defesa e adaptação à realidade, e sintetizando o pensamento social, lógico e moral que afasta o princípio do prazer ;
Fase da Pré-puberdade=> De 9 à 12 anos- Retorno das tendências infantis reprimidas (pulsões genitais) , reativação da escolha objetal (identificação sexual), escolha do objeto libidinal ;
Fase da Puberdade=> De 12 à 14 anos- Escolha objetal definitiva, busca do amor do outro, hesitações ou regressões da escolha (angústia sexual, revive a situação edipiana, época de agressividade, dos conflitos, crise da escolaridade e disciplina, primeiras aventuras amorosas, formação definitiva do caráter, processo de separação (individuação).
Fase da adolescência=> Período entre a infância e a idade adulta, caracteriza-se por intenso crescimento e desenvolvimento que se manifestam por marcantes transformações anatômicas , é nesta fase que os adolescentes começam a tomar ciência de suas identidades sexuais buscando satisfazer suas necessidades eróticas e interpessoais.Para Freud a maior parte do funcionamento mental se passa fora da consciência, e que a consciência é antes uma qualidade ou atributo excepcional do que comum funcionamento mental.
Em 1885 Freud, viaja a Paris para iniciar um estágio com Chacot. Este terá papel fundamental na formação do jovem Sigmund.
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(Continua)

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